Mitos no Sector de Abastecimento de Água Rural
Foram já efectuados investimentos significativos, no âmbito do abastecimento de água rural. Por exemplo, entre 1978 e 2003 o Banco Mundial concedeu aproximadamente 1,5 milhões de USD a este sectori. Algumas nascentes foram protegidas, foram construídos poços ou furos, e equipados com bombas manuais; e foram construídos sistemas de abastecimento de água canalizada. No entanto, o factor alarmante é que o progresso é ainda muito lento e a abrangência do abastecimento de água, nas zonas rurais, está muito aquém do fornecimento de água potável, nas zonas urbanas:
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Oito em cada dez pessoas, sem acesso a um abastecimento adequado de água, vivem em zonas rurais. Isto equivale a 780 milhões de habitantes rurais, em comparação com 136 milhões de habitantes das zonas urbanas;
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Na África Subsaariana, a disparidade é ainda maior, com 272 milhões de habitantes nas zonas rurais a viverem sem acesso à água potável, em relação a 54 milhões que vivem nas zonas urbana (Figura 2);
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Em África, o número de habitantes rurais, sem acesso ao abastecimento de água potável, aumentou de 243 milhões, em 1990, para 272 milhões, em 2006.
No entanto, não só o desenvolvimento tem sido lento, mas também, de forma mais vergonhosa, muitos dos sistemas construídos deixaram de funcionar ao longo do tempo. Estima-se que só duas em cada três bombas manuais instaladas estejam operacionais, a qualquer momento. Milhares de pessoas, que anteriormente beneficiavam dum fornecimento de água potável, actualmente têm de passar por bombas de água ou torneiras avariadas em busca de água nas suas fontes tradicionais de água suja. Não obstante as melhores intenções, o facto é que nós, os profissionais e os especialistas deste sector, contribuímos para este problema, de diversas formas.
Ao longo dos anos foram estabelecidos alguns princípios relativos aos factores subjacentes ao sucesso e a sustentabilidade dum abastecimento de água nas zonas rurais. As expressões tais como “princípio da demanda”, “tecnologia apropriada”, “operação e manutenção a nível da aldeia”, “gestão comunitária” e “participação do sector privado” foram enraizadas nas políticas e nas estratégias. No entanto, a aderência a estes, e outros, princípios não tem produzido os resultados esperados. Por vezes são mal implementados; noutros casos são simplesmente inadequados. Assim, chegou a altura de reflectirmos sobre algumas das contradições e alguns dos mitos básicos relativos ao serviço de abastecimento de água rural.
Este documento identifica os mitos existentes no sector de abastecimento de água rural. A medida que for lendo, o leitor poderá decidir que alguns deles não têm nada de mitos, mas são manifestamente óbvios. Tome o exemplo do mito de que “a construção dos sistemas de abastecimento de água é mais relevante que a sua manutenção”. A reacção do leitor pode ser de que isto não é um mito, e que existe a consciencialização da importância da operação e da manutenção. Mas então questione-se sobre o que está realmente a fazer no seu programa para abordar este problema fundamental. Muitos de nós estamos conscientes que as questões mencionadas neste documento são mitos. Apesar disso, muitos de nós avançamos como se nada fosse. Um programa de reabilitação tende a utilizar os mesmos princípios de gestão, de manutenção e de formação (caso aplicável), mesmo nos casos em que estes princípios ocasionaram, anteriormente, avarias a longo prazo.